Estatísticas de utilização das criptomoedas

Estatísticas das Criptomoedas

Milhões de pessoas ao redor do planeta já utilizam as criptomoedas, muito embora poucos países as tenham reconhecido legalmente como dinheiro. 

Na aula anterior do curso Direito das Criptomoedas, vimos como todo esse uso surgiu a partir do primeiro registro no Blockchain em 2009 e da icônica história da pizza de 10 mil Bitcoins em 2010.

Nesta aula, vamos nos aprofundar em outras estatísticas que mostram a relevância das criptomoedas no mundo atual.

Em fevereiro de 2021, existem mais de 8,5 mil tipos de moeda virtual em circulação, com um valor de mercado total de 1,6 trilhão de dólares e uma movimentação superior a 150 bilhões de dólares por dia (CRYPTOCURRENCY MARKET CAPITALIZATIONS, 2021)1.

Como visto, o Bitcoin domina amplamente o mercado de criptomoedas, com uma participação de 60,4% do total de valor de mercado. Tal domínio chegou a 96,39% em novembro de 2013, porém a tendência é que não volte mais a esses patamares, visto que novas criptomoedas vêm sendo criadas ao longo dos anos. 

Ainda assim, o valor de mercado do Bitcoin é superior a 1 trilhão de dólares, enquanto a segunda maior moeda virtual da atualidade, o Ethereum, tem pouco mais de 223 bilhões de dólares em valor de mercado, e a terceira, o Binance Coin, chega a 46 bilhões de dólares. 

O valor de mercado do Bitcoin é superior, por exemplo, ao produto interno bruto (PIB) de alguns pequenos países, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dezembro de 2020.

Em fevereiro de 2021, havia mais de 63 milhões de carteiras de Bitcoin criadas. Embora uma pessoa possa criar mais de uma carteira, estima-se que a quantidade de usuários de Bitcoin esteja nesse patamar, segundo o site Blockchain Info. A título de comparação, seria uma quantidade de pessoas maior do que a da população da Itália.

Quantidade de carteiras de Bitcoin de 2011 a 2021

Visto que a identidade dos proprietários de carteiras de Bitcoins não precisa ser revelada, não há estatísticas precisas da distribuição de usuários por país.

O país que mais movimentou Bitcoins em 2020 foram os Estados Unidos, seguidos por Rússia e Nigéria. O Brasil aparece na 17a posição (contando-se a União Europeia como um país):

Bitcoin trading volume on online exchanges in various countries worldwide in 2020(in million U.S. dollars). Fonte: Statista.

Se for levada em consideração a quantidade de nós funcionais (computadores dedicados ao software do Bitcoin, com o blockchain completo) na rede peer-to-peer, os Estados Unidos possuem 18,97% das máquinas, seguidos por Alemanha (17,8%) e França (6,29%), segundo o site Bitnodes (2021)2. Por esse critério, o Brasil aparece na 28a posição.

O potencial de adoção de Bitcoins por país foi estudado por Garrick Hileman (2014)3, que publicou um ranking com 178 países.

Levando em consideração critérios como inflação, tamanho do mercado informal, desenvolvimento tecnológico, crises financeiras e repressão, a lista colocou a Argentina, Venezuela e Zimbábue como os três países com mais potencial para adotar o Bitcoin em larga escala. O Brasil ficou na 17a posição. De acordo com Hileman,

Não é surpresa ver a Argentina como número um do ranking. O país sofre com uma persistente alta inflação, tem uma grande economia informal, e regularmente experimenta crises financeiras.

Além disso, a Argentina tem um grau relativamente alto de penetração tecnológica e controle de movimentação de capital.

A Argentina também recentemente deu calote na dívida externa pela segunda vez em 13 anos. Enquanto calotes na dívida externa têm peso relativamente pequeno no BMPI, o acontecimento recente reflexo nos rankings.

Assim como a Argentina, a segunda colocada, Venezuela, também sofre com inflação relativamente alta e crises financeiras frequentes.

(HILEMAN, 2014, p. 8)

A instalação de caixas eletrônicos onde se podem trocar moedas nacionais por Bitcoins também vem crescendo. Os Estados Unidos possuem a maior quantidade de caixas eletrônicos (13 mil), seguidos por Canadá (1,2 mil) e Reino Unido (229). No Brasil, existem apenas quatro caixas eletrônicos do tipo (COIN ATM RADAR, 2021)4.

Além da quantidade de pessoas utilizando Bitcoin, é necessário saber acerca da aceitação deste meio de pagamento por parte das empresas. 

Embora a aceitação tenha começado por prestadores de serviços autônomos e empresas de tecnologia de pequeno porte, hoje o Bitcoin é aceito por gigantes como Microsoft (tecnologia), Dell (computadores), Subway (sanduíches), Virgin Airlines (aviação civil), Tesla (carros elétricos), Bloomberg (site de notícias) e Kmart (comércio varejista), entre outros (CHOKUN, 2016)5

No Brasil, o Bitcoin movimentou R$ 19,8 bilhões em 2020. Em 2019, foi registrado um total de R$ 11,2 bilhões aplicado na criptomoeda, configurando um aumento de 77% no valor investido de um ano para o outro (TECNOBLOG, 2021)6. Um aumento expressivo, mesmo se considerando a pandemia de coronavírus de 2020.

O sucesso do Bitcoin fez com que a Bolsa de Valores de Nova York lançasse, em maio de 2015, um índice oficial de cotação da moeda, o NYXBT (EXAME, 2015)7.

No Brasil, a empresa BitValor criou o Índice BRXBT para representar o preço atual de uma unidade de Bitcoin em reais.

O crescente uso das criptomoedas transforma o que antes era apenas uma teoria em um fato jurídico, gerando consequências para o Direito e levantando questões sobre a regulamentação jurídica, seja com a aplicação de normas existentes ou com edição de novas leis.

Antes de entrar no assunto da regulamentação jurídica, no entanto, é necessário entender a sempre mencionada relação entre criptomoedas e atividades ilícitas. Esse será o tema da nossa próxima aula.

Notas

  1. CRYPTOCURRENCY MARKET CAPITALIZATIONS, 2021. Disponível em: https://coinmarketcap.com/. Acesso em: 19 fev 2021.
  2. BITNODES. Global Bitcoin Nodes Distribution. Disponível em: https://bitnodes.21.co/#global-bitcoin-nodes-distribution. Acesso em: 19 fev 2021.
  3. HILEMAN, Garrick. The Bitcoin Market Potential Index. Londres: 3 ago. 2014. Disponível em: https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2752757. Acesso em: 25 out. 2016.
  4. COIN ATM RADAR. Bitcoin ATM Map. Disponível em: https://coinatmradar.com/countries/. Acesso em: 19 fev 2021.
  5. CHOKUN, Jonas. Who Accepts Bitcoins As Payment? List of Companies, Stores, Shops. Tel Aviv: 99 Bitcoins, 19 jun. 2016. Disponível em: https://99bitcoins.com/who-accepts-bitcoins-payment-companies-stores-take-bitcoins/. Acesso em: 25 out. 2016.
  6. TECNOBLOG. Bitcoin movimentou R$ 19,8 bilhões no Brasil em 2020. 8 jan. 2021. Disponível em: https://tecnoblog.net/399850/bitcoin-movimentou-r-198-bilhoes-no-brasil-em-2020. Acesso em: 19 fev 2021.
  7. EXAME. Bolsa de Nova York lança índice para cotação do Bitcoin. 2015. Disponível em: http://exame.abril.com.br/mercados/bolsa-de-nova-york-lanca-indice-para-cotacao-do-bitcoin/. Acesso em: 24 out. 2016.
Escrito por
Walmar Andrade
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