A Quarta Revolução Industrial

A Quarta Revolução Industrial, de Klaus Schwab

A Quarta Revolução Industrial, de Klaus Schwab, é daquelas livros que você dá para alguém que está precisando de uma visão geral sobre as mudanças provocadas pela tecnologia na sociedade e na economia. Especialmente as mudanças previstas para ocorrer entre 2015 e 2020.

O autor é conhecido por ser o fundador do Fórum Econômico Mundial, famoso por reunir líderes de todo o mundo durante seu encontro anual em Davos, na Suíça.

Foi a partir dos debates realizados em Davos e dos relatórios produzidos pelo Fórum Econômico Mundial que Schwab compilou em A Quarta Revolução Industrial aquelas que são consideradas as mudanças mais importantes pelas quais o mundo está passando.

A tese do autor é que o mundo está passando por uma quarta revolução no modo de produzir e consumir bens e serviços. Esta revolução iniciou-se na virada para o século XXI e tem como base o avanço da tecnologia.

Diferente das três anteriores, a quarta revolução industrial se destaca por sua velocidade exponencial, escala e impacto silencioso, todos sem precedente na história.

As mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história humana, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso. A minha preocupação, no entanto, é que os tomadores de decisão costumam ser levados pelo pensamento tradicional linear (e sem ruptura) ou costumam estar muito absorvidos por preocupações imediatas; e, portanto, não conseguem pensar de forma estratégica sobre as forças de ruptura e inovação que moldam nosso futuro.

Klaus Schwab, em A Quarta Revolução Industrial (2016)

O autor declara que seus objetivos com o livro são gerar maior conscientização sobre a abrangência e a velocidade da revolução tecnológica e de seu impacto multifacetado; criar uma estrutura que permita pensar sobre a revolução tecnológica; e oferecer uma plataforma que inspire a cooperação público-privada e as parcerias em questões relacionadas à revolução tecnológica.

As 3 megatendências que impulsionam a quarta revolução industrial

A Quarta Revolução Industrial - Klaus Schwab

Klaus Schwab lista três grandes tendências que servem como impulsionadoras da atual revolução industrial: a categoria física, a categoria digital e a categoria biológica.

A categoria física engloba inovações como a impressão 3D, os carros autônomos e tudo o que é relacionado à chamada internet das coisas.

O grafeno é citado como exemplo de uma mudança disruptiva. Um material que é cerca de 200 vezes mais forte que o aço, milhões de vezes mais fino que um cabelo humano e um eficiente condutor de calor e eletricidade.

Embora ainda seja economicamente inviável atualmente, a tendência é que o grafeno torne-se financeiramente competitivo e cause rupturas nas indústrias de fabricação e infraestrutura.

A categoria digital engloba todas as inovações relacionadas a software, como criptomoedas, contratos inteligentes e inteligência artificial.

Nesta segunda categoria, os avanços são tão rápidos que a limitações de seus impactos ocorre muito mais por questões jurídicas, regulamentares e éticas do que por falta de capacidade técnica para implementação das inovações.

Por fim, na categoria biológica, Schwab cita os avanços na área de biotecnologia, na engenharia genética e na substituição de partes do corpo por membros ou órgãos artificiais.

Os maiores impactos surgem da fusão entre essas três tendências. O autor escreve que as empresas capazes de combinar as três categorias muitas vezes conseguem descontinuar uma indústria inteira e seus sistemas de produção, distribuição e consumo relacionados.

Impactos da revolução tecnológica na economia, na sociedade e na política

A terceira e última parte de A Quarta Revolução Industrial analisa os impactos, muitas vezes silenciosos, que a revolução tecnológica vem causando na economia, na sociedade e na política.

Schwab aborda a questão da substituição de trabalho humano por máquinas, o que causa uma crise de emprego ao mesmo tempo em que traz considerações sobre a natureza do trabalho humano.

Será que somos mesmo destinados a fazer trabalhos mecânicos e repetitivos? Ou é melhor deixar isso para as máquinas e liberar o pensamento humano para outras coisas? Será que devemos encontrar outras formas de obter sustento que não sejam derivadas da remuneração por um trabalho realizado?

O autor não tem uma visão muito pessimista sobre a substituição do trabalho humano por máquinas. Ele defende que, com a derrubada de barreiras de entrada para a criação de novos negócios, no curto prazo o talento individual será o fator crucial de produção.

No mundo de amanhã, surgirão muitas novas posições e profissões, geradas não apenas pela quarta revolução industrial, mas também por fatores não tecnológicos, como pressões demográficas, mudanças geopolíticas e novas normas sociais e culturais. Hoje, não podemos prever exatamente o que acontecerá, mas estou convencido de que o talento, mais que o capital, representará o fator crucial de produção (…) Em um mundo onde o talento é a forma dominante de vantagem estratégica, a natureza da estrutura organizacional deverá ser repensada.

Klaus Schwab, em A Quarta Revolução Industrial (2016)

Como os governos vão reagir a essas mudanças na economia? Schwab considera que hoje é muito mais difícil governar do que era no passado e que os governos nunca foram tão ineficientes.

A saída, para ele, pode estar no Data-Driven Development (Desenvolvimento por meio dos dados) aplicado à política. Isso pode significar deixar a cargo dos algoritmos a decisão sobre a realização de políticas públicas, a divisão do orçamento público e outras ações governamentais.

O relatório de pesquisa Mudança Profunda – Pontos de Inflexão Tecnológicos e Impactos Sociais

Em novembro de 2015, o Fórum Econômico Mundial publicou o relatório Deep Shift – Technology Tipping Points and Societal Impact, Survey Report, Global Agenda Council on the Future of Software and Society.

Em seu apêndice, o livro A Quarta Revolução Industrial traz 21 mudanças tecnológicas apresentadas no relatório e duas adicionais, com os pontos de inflexão dessas tecnologias e as datas esperadas de sua chegada ao mercado.

A lista é a seguinte:

  1. Tecnologias implantáveis
  2. Nossa presença digital
  3. A visão como uma nova interface
  4. Tecnologia vestível
  5. Computação ubíqua
  6. Um supercomputador no seu bolso
  7. Armazenamento para todos
  8. A internet das coisas e para as coisas
  9. A casa conectada
  10. Cidades inteligentes
  11. Big data e as decisões
  12. Carros sem motorista
  13. A Inteligência Artificial (IA) e a tomada de decisões Mudança
  14. A Inteligência Artificial (IA) e as funções
  15. Robótica e serviços
  16. Bitcoin e blockchain
  17. A economia compartilhada
  18. Os governos e o blockchain
  19. Impressão em 3D e fabricação
  20. Impressão em 3D e saúde humana
  21. Impressão em 3D e produtos de consumo
  22. Seres projetados
  23. Neurotecnologias

Para cada uma dessas mudanças, o relatório mostra quando deve ocorrer o ponto de inflexão, quais os pontos positivos e negativos e quais as incertezas.

Além disso, traz exemplos práticos de como essas mudanças já estão ocorrendo na prática, mostrando estudos de caso, matérias na imprensa e pesquisas acadêmicas.

Assim, A Quarta Revolução Industrial cumpre seu papel de apresentar uma visão geral sobre as mudanças provocadas pela tecnologia e ainda traz dados mais precisos sobre como, onde e quando essas mudanças estão ocorrendo.

Escrito por
Walmar Andrade
Walmar Andrade